CRISTIANISMO COMO MODELO POLÍTICO
Vivemos em tempos de pós-modernidade nos quais uma série de fenômenos sociais nos fazem questionar se estamos no caminho certo enquanto uma sociedade ocidental de maioria cristã.
Partindo dessa premissa, o que seria então de se esperar de uma sociedade cristã em termos gerais, quase dois mil anos após a fundação estruturada do Cristianismo no mundo, principalmente ocidental?
Para responder esta questão seria necessário então voltarmos ao ponto de partida desta questão, ou seja, o ministério de Jesus, no qual sua obra foi edificada e sua cosmovisão implementada através da construção do Cristianismo Institucionalizado pela Igreja Católica Romana em seus primeiros movimentos estruturadores, os Concílios.
É nesta etapa fundamental da edificação institucional do Cristianismo pelo Império Romano que são delineados os princípios fundamentais do que seria o projeto Missionário de Jesus o qual podemos definir aqui como sendo a Implantação do Reino dos Céus na Terra e para realizar esta jornada seria necessário então a manutenção de comunidades e templos para que esta obra pudesse seguir adiante.
Enfim, o resultado desta história nos remete ao preâmbulo deste texto, os sintomas de uma sociedade pós-moderna adoecida e desorientada.
Acredito que diante do desafio dos tempos modernos para lidar com um mundo cada vez mais caótico e desorientado, o que não era muito diferente da realidade na qual Jesus realizou seu ministério, o Cristianismo pode ser um caminho político viável para uma sociedade organizada.
Os principais fundamentos sobre o bem-comum, o respeito à pessoa, a organização social equalitária promovido pelo ministério Cristão durante a jornada de Jesus nos aponta o caminho para edificação de princípios, valores, legislação, economia e demais políticas de gestão pública que se sustentem sobre estes pilares unicamente, o que é claro pode ser destacado aqui como uma utopia.
Madre Tereza de Calcutá como religiosa lutou por mais de vinte anos contra a própria igreja e contra parte da comunidade local para poder prestar ajuda humanitária aos que ela chamava de “os excluídos dos excluídos” que eram deixados para morrer na rua, nas proximidades do convento onde residia.
Para ela naquela época era impensável não auxiliar aquelas pessoas em condições extremas de privação, sendo que para os religiosos do convento, aquelas pessoas não faziam parte da Igreja Católica local e portanto não eram dignos de receber os cuidados daquela comunidade cristã, bem como como cristãos, prestar ajuda àquelas pessoas consideradas “impuras” pela sociedade e religiões daquele local seria também algo impróprio e até mesmo um crime de acordo com as leis locais.
Mas tendo em vista esta Vocação de realizar o trabalho de assistência humanitária baseado nos ensinamentos cristãos, tendo como fundamental referência o texto do Bom Samaritano no Novo Testamento, ela enfrentou tanto a Igreja Católica quanto a comunidade local e prestou seus serviços de ajuda humanitária assumindo todo o trabalho e responsabilidade, inclusive sendo por muito tempo atacada, hostilizada e até mesmo rechaçada pela Igreja.
Mas o trabalho e o tempo demonstraram que estavam errados.
Madre Teresa fundou uma organização que atualmente responde por um trabalho de ajuda humanitária atuante em mais de 134 países, cerca de 20.000 colaboradores e um orçamento anual estimado em 9 bilhões de dólares, baseada unicamente na utopia de servir aos excluídos dos excluídos, tendo como pilar central os fundamentos cristãos.
Outras comunidades Cristãs como os Mosteiros Beneditinos são exemplos de comunidades auto-sustentáveis, economicamente viáveis socialmente justas e ambientalmente corretas, que tendo com fundamentos o cristianismo responderam não só pela sobrevivência de muitas comunidades mas na sobrevivência do Cristianismo na Europa no período primitivo.
Os pilares do Cristianismo são sem dúvida as referências mais seguras para políticas e agentes políticos que desejam trabalhar a favor do bem-comum, sendo que mesmo dentro de uma estrutura capitalista e tecnológica como atualmente nos encontramos, são perfeitamente viáveis sem que estejam associadas à modelos desgastados e ineficientes como socialismo e comunismo.
O modelo político proposto pelas comunidades cristãs fundamentais sempre se demonstrou viável ao longo dos tempos, bastando que políticos que se guiem por “utopias” como no caso de tantos outros como a Madre Teresa citada anteriormente.
E como dica para guiar nosso leitor na busca por uma referência teórica sobre o tema, recomendo a obra A OPÇÃO BENEDITINA do autor Rod Dreher, sendo uma proposta estratégica apresentada para os cristãos em um mundo pós-moderno.
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